segunda-feira, 13 de julho de 2015

MEU DIEGO RIVERA


Resultado de imagem para DESENHO DE DIEGO RIVERA


Certa vez, deve haver uns seis anos, recebo e-mail de um velho amigo mexicano, artista contemporâneo de renome. Anunciava-me a vinda a Salvador de um antiquário, mexicano também. Viagem de negócio.
Poucos dias depois, o telefone toca. Era o tal. Voz alegre, comunicativa. Convido-o para almoçar em minha casa, convite que muito parece ter-lhe impressionado. Antes de desligar, pergunta se conheço alguém interessado num desenho do Diego Rivera. Respondi que não me parecia o mercado ideal para vender algo, mesmo modesto do mestre do muralismo mexicano. O mais certo sendo, sem dúvida, São Paulo e, bem mais seguro, Nova-Iorque.
No dia seguinte abro a porta a um homem baixo, forte, com bigodes. Uma caricatura de mexicano. Só lhe falta o amplo sombrero bordado. Durante a refeição, após conversar a respeito de seus contatos com diversos antiquários, torna a me perguntar sobre o desenho de Diego Rivera. O preço? Quase nada... uns cem mil dólares. Eu não estaria interessado? Faria um bom preço, pela gentileza do convite. Que tal cinqüenta mil? Dez mil?... Mil dólares?
Começo a olhar o bigodudo com uma ponta, uma pontinha só, de desconfiança. E me pergunto como meu amigo me mandou aquele fantasista sem me prevenir do personagem.
No meio do rango, o antiquário se levanta, vai pegar uma revista da qual sobressai uma folha maior de papel. Logo vou falando: “Você vai estragar a obra! Por que não a colocou numa pasta mais adequada?” Visivelmente, a conservação de uma obra tão significativa não parece incomodar meu convidado. Antes da sobremesa, ao lado de meu prato com sobras de peixe, lá estava, sem a menor ceremônia, um desenho colorido, devidamente assinada pelo marido de Frida Kahlo. E com um discurso algo surpreendente: “Como usted me há recebido tan amablemente, le ofresco este dibubo. Solo le pido que mande hacer un bello marco”.
Estou convencido que nenhum dos meus leitores jamais recebeu um presente de cem mil dólares- ou mesmo mil dólares que seja – como agradecimento de um simples almoço.
Depois do café, o homem com aspecto de mariachi, teve a delicadeza de acrescentar algumas informações: “Na verdade este belo desenho é do atelier do maestro. Foi um ajudante que fez”. Não esclareceu quem tinha assinado.

Táva tudo explicado!

SÓ PARA ESCLARECER A ILUSTRAÇÃO DESTE TEXTO: NÃO SE TRATA DO TAL DESENHO. NA VERDADE, NEM SEI ONDE METI A PEÇA!

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