sábado, 1 de junho de 2013

SÓ EM TAÇA DE CRISTAL!

Garrafas do palácio do Eliseu leiloadas por 718 mil euros

Mil e duzentas garrafas de vinho, conhaque e champanhe da cave do palácio do Eliseu foram vendidas num leilão realizado na quinta e sexta-feira em Paris, e renderam 718 mil euros, mais do dobro do previsto, segundo a leiloeira Kapandji-Morhange.

Entre as garrafas em destaque no leilão esteve a Petrus 1990, com o preço de licitação entre 2.200/2.500 euros e que foi arrematada por 7.625 euros, e duas garrafas de Château Latour, 1.º Grand Cru, Pauillac, 1982, com valor base de 2.000/2.200 euros e que acabaram vendidas por 4.625 euros.

O leilão – em que o Eliseu se estreou a vender alguns dos seus vinhos - teve lugar na sala de leilões do Hotel Drouot.

QUE ABSURDO!

Governo impõe sigilo em viagens de Dilma

IG 31/05/2013 10h11
 
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Foto: Roberto Stuckert Filho/PR


O governo colocou sob sigilo todas as informações relativas às viagens que a presidente Dilma Rousseff ou seu vice, Michel Temer, já fizeram ou vierem a fazer ao exterior. Os dados só poderão ser divulgados depois que ela deixar o Palácio do Planalto, em 31 de dezembro de 2014. Ou, se reeleita, de 2018.
A decisão ocorre num momento em que o governo está sendo questionado sobre o tamanho das comitivas presidenciais – e dos gastos – no exterior. Além disso, ela impedirá que esses dados venham à luz durante a campanha eleitoral de 2014.
Extratos de uma comunicação classificada do Itamaraty, a que o iG teve acesso, determina a reclassificação de todos os expedientes e documentos relacionados às visitas ao exterior de Dilma ou do vice, feitas desde que ela tomou posse, em 1º de janeiro de 2011. A regra se aplica também às viagens que forem feitas "futuramente".
No mínimo, esses materiais deverão receber o carimbo de “reservados”, categoria que prevê sigilo de cinco anos desde a sua produção. Mas podem ser reclassificados como secretos, o que os deixará 15 anos na sombra, ou como ultrassecretos – 25 anos.
Quando Dilma deixar o poder, o sigilo poderá será levantado, segundo o documento. A justificativa legal para classificar os documentos será a da segurança. A Lei de Acesso à Informação (12.527/2011), a LAI, permite colocar sob sigilo, até que o presidente da República e o vice deixem os cargos, dados que possam pô-los em risco. A proteção se aplica aos cônjuges e filhos de ambos.
‘Estrito cumprimento da lei’
O Itamaraty não confirmou o exato teor do documento. Segundo a assessoria de imprensa do órgão, “as medidas de reclassificação são feitas em estrito cumprimento à Lei de Acesso à Informação".
Procurada na tarde desta quinta-feira (30), a chancelaria não disponibilizou um porta-voz para explicar de onde partiu a ordem e por que ela foi emitida no atual momento.
Dilma foi a presidente que sancionou LAI em 2011. Em 3 de julho de 2012, ressaltou que o texto determina "que o acesso agora é a regra e o sigilo passou a ser a exceção.”
Na prática, entretanto, a comunicação tornou regra que qualquer informação sobre viagens da presidente ao exterior ficará de fora do alcance da LAI até o fim da era Dilma.
‘Totalmente dezarrazoado’
A ordem de reclassificar os documentos foi distribuída a funcionários do Itamaraty no Brasil e a toda a rede consular do País no exterior nos últimos dias, segundo duas fontes da pasta ouvidas pela reportagem. Outras duas fontes, da mesma pasta, confirmaram a existência do documento e o seu teor, mas não o texto exato. Todas pediram anonimato.
“Definir de forma indiscriminada [o sigilo de informações sobre viagens presidenciais] para frente e desde o início do mandato é algo inédito nos anais do governo brasileiro”, diz uma das fontes. “Normalmente, algumas coisas [das viagens presidenciais] já são tratadas de forma confidencial, mas as coisas corriqueiras não precisam ser feitas de forma secreta.”
Segundo outra fonte, a comunicação deixa bem claro que, embora o sigilo tenha sido determinado para qualquer informação, há preocupação singular com os gastos. O texto fala em “faturas” e “boletos”.

De acordo com essa fonte, em teste a determinação de sigilo se aplica a qualquer informação relativa à viagem. Mas quando se fala em faturas, está claro que há uma referência específica às despesas, avalia ela. “É totalmente desarrazoado, pois a pessoa já voltou para o Brasil está sã e salva.”
Para essa fonte, o sigilo se aplicará também aos gastos de todos os membros das comitivas, e não só da presidente. Em março, a BBC revelou que Dilma gastou R$ 11,6 milhões em 35 viagens feitas entre 2011 e 2012. Desses, R$ 433 mil foram dispendidos em escalas feitas em países nos quais a presidente não tinha nenhum compromisso oficial. Os dados foram obtidos por meio da LAI.
No mesmo mês, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), fez um requerimento via mesa do Senado para que o governo detalhasse os gastos realizados durante a viagem de Dilma a Roma para a missa inaugural do Papa Francisco. A visita custou ao menos R$ 324 mil. À reportagem, o parlamantar disse ainda não ter recebido resposta.
O iG solicitou no dia 28 de maio informações sobre os gastos da presidente à Etiópia. A LAI prevê que a informação seja divulgada imediatamente, se estiver disponível, ou num prazo máximo de 30 dias. Os dados não foram repassados até a conclusão desta reportagem.

PÉROLAS AOS PORCOS

O pianista André Mehmari foi hostilizado por estudantes da rede pública de Campinas durante uma das apresentações que realizou na cidade, como parte do projeto 'Ouvir para Crescer', cujo objetivo é, justamente, facilitar o acesso desse público carente à música e ao teatro. Ele, que é um dos músicos mais aclamados da nova geração, foi vaiado e surpreendido com frases do tipo “sai daí filho da p...”, “vai tomar no c...” e “vai se f...” — conforme relatou no seu perfil no Facebook  —, depois de explicar sobre Ernesto Nazareth e listar as obras que tocaria a seguir. Esse triste retrato da educação foi revelado no dia 14 de maio, em meio a uma plateia de cerca de 600 alunos da rede estadual de ensino no Teatro Municipal José de Castro Mendes. Mehmari continuou a apresentação conforme o programa pedia.

André Mehmari fez um desabafo na internet sobre a experiência, que considerou


SAIBA MAIS

André Mehmari é autor de composições e arranjos para algumas das formações orquestrais e de câmera mais expressivas do País, como Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (Osesp), Quinteto Villa-Lobos, Orquestra Sinfônica de Brasília (OSB), Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo, entre outros. Como instrumentista, já atuou em importantes festivais brasileiros como Chivas, Heineken, Tim Festival, e no Exterior, como Spoleto USA e Blue Note Tokyo. A discografia reúne oito CDs solo. Recebeu duas vezes o Prêmio Nascente (USP-Editora Abril), na categoria Música Popular-Composição, com os temas De Sol a Sole Capim Seco (1995), e na categoria Música Erudita-Composição, com Cinco Peças para Quatro Clarinetes e Piano (1997). No ano seguinte, conquistou o primeiro lugar no Prêmio Visa de MPB Instrumental. Com a composição Omaggio a Berio, baseada na música do compositor italiano Claudio Monteverdi (1567-1643), venceu o concurso nacional de composição Camargo Guarnieri (2003), promovido pela Orquestra Sinfônica da USP. Em duo com Ná Ozzetti, lançou Piano e Voz, considerado pela crítica uma obra-prima e vencedor do prêmio Carlos Gomes de música erudita brasileira na categoria revelação do ano. Em 2007, lançou Contínua Amizade (vencedor do Prêmio Rival/Petrobras na categoria instrumental) e Gismontipascoal (Prêmio da Música Brasileira). Com o álbum Nonada (2008), foi indicado ao Grammy Latino.


UM ARTISTA ALTAMENTE RESPEITÁVEL 



EN PASSANT, MAIS UMA BOFETADA PARA O PELOURINHO!

Sorria, você está na Bahia


O trânsito parado, o metrô que não estreia, a orla degradada. Salvador já viveu dias melhores, mas coisa boa vem aí. E, mesmo se não viesse, poucas cidades conseguem ser tão especiais 

por Mônica Pileggi

A região da Barra, onde Salvador cresce com menos dor
A região da Barra, onde Salvador cresce com menos dor
Raras capitais brasileiras mudaram de rosto tão velozmente como Salvador, a terceira mais populosa do Brasil, com 2,7 milhões de habitantes. Salvador viveu nos últimos anos um boom imobiliário e tem seu Centro atravessado por obras de um metrô de superfície que cresce com irritante lentidão. Em 2008, quando a crise do subprime deixava mortos e feridos no Hemisfério Norte, as betoneiras trabalhavam intensamente na capital baiana. “Foram quase 14 mil unidades residenciais vendidas”, conta Nilson Sarti, presidente da Associação dos Dirigentes das Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia (Ademi-BA). O padrão anterior era comercializar 4 mil unidades por ano. Em 2012, foram 9 mil. Os novos empreendimentos estão espalhados pela cidade, principalmente em áreas nobres como os bairros deGraça, Ondina, Caminho das Árvores e também ao longo da Avenida Paralela. Para quem passou os quatro ou cinco últimos anos longe de Salvador, a capital baiana pode parecer outra cidade.
Pode-se achar que Salvador ficou melhor ou pior, mas é ocioso pensar que a cidade ia ficar parada enquanto o crédito fácil irrigava os novos consumidores brasileiros, muitos deles justamente do Nordeste. A Paralela, avenida que tem esse nome por correr junto do mais antigo caminho pela orla, viu surgirem condomínios residenciais fechados de grife e imponentes edifícios que contrastam com as favelas que aparecem aqui e ali a caminho da região central. A expansão urbana, como era de esperar, deixou marcas no meio ambiente. A promotoria de Justiça deve divulgar em junho um diagnóstico do que ainda existe de Mata Atlântica remanescente na cidade.
O trânsito da capital baiana também entrou para a primeira divisão das cidades paradas brasileiras, ombreando com Rio, São Paulo e Manaus. Em dez anos, a frota particular de Salvador cresceu 77%, para 512 mil carros – em São Paulo, o aumento não chegou a 50%. Além disso, há a novela das obras do metrô, que começaram há 13 anos e, como o Carnaval, não têm hora para acabar. Estão prontos até agora 6 dos 12 quilômetros projetados, mas há severas críticas quanto à viabilidade econômica do traçado. “No momento do projeto, esse itinerário fazia sentido. Ao longo desses anos a cidade mudou, e hoje a demanda maior é para a região do Iguatemi, o centro financeiro e comercial da cidade”, diz o urbanista baiano Paulo Santiago Fontes. Seja como for, enquanto o metrô não fica pronto, cerca de 200 mil pessoas têm de se virar com ônibus.
A Copa em Salvador
Salvador reabriu seu estádio de futebol, agora chamado de arena, o Fonte Nova, cuja exploração comercial ficou a cargo do consórcio de empreiteiras envolvido na construção. A capital baiana recebe três jogos da Copa das Confederações – um deles, o clássico Brasil e Itália, no dia 22 de junho – e está também na Copa do Mundo. Por isso, é de esperar que outras obras saiam do papel. A Secretaria de Turismo da Bahia lançou em setembro de 2012 um pacote de investimentos estimado em cerca de R$ 280 milhões. Entre as ações previstas estão a implantação de placas de sinalização turística e rodoviária, além de postos de informação e capacitação de policiais e taxistas. A secretaria promete também a construção de um palco articulado no Pelourinho e a requalificação da Feira de São Joaquim, uma das mais tradicionais do estado. A secretaria também aposta em melhorias em 17 cidades vizinhas da Baía de Todos os Santos, com recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
O segmento hoteleiro também está aquecido. Nos últimos anos, novos empreendimentos surgiram ou trocaram de mãos. Caso do Mercure Boulevard, do Sotero Hotel by Nobile, do Intercity e do Matiz Salvador, todos na vizinhança do novo Salvador Shopping. Neste ano, a principal novidade é o Sheraton Hotel da Bahia, parceria de Guilherme Paulus com a grife Sheraton, da rede Starwood, que ressuscitou o edifício do antigo Hotel Tropical, no Largo do Campo Grande. A esperada estreia do Fasano, no prédio histórico da Praça Castro Alves que já pertenceu ao jornal A Tarde, também deve ajudar a valorizar a confusa área central.
Assim como “sempre teremos Paris”, na famosa fase do filme Casablanca, o melhor de Salvador também sempre estará à disposição dos turistas, a despeito das dores do crescimento da cidade. Seus faróis, fortes, casario, igrejas e praias, além da influência africana tão distintiva nos costumes, na culinária e na religião, fazem da capital baiana um lugar especial. A gastronomia tem se destacado para além dos acarajés do Rio Vermelho, e o GUIA BRASIL indica seis restaurantes estrelados, entre eles o Mistura, de pescados, o espanhol Mar na Boca e o criativo Amado, com linda vista para a Baía de Todos os Santos.
O camarão graúdo do restaurante Amado, em Salvador
O camarão graúdo do restaurante Amado - Foto: Divulgação
Dores do crescimento
Se as praias soteropolitanas não têm balneabilidade (menções honrosas para o Porto da Barra e para as praias do município vizinho de Lauro de Freitas), se o Pelourinho é inseguro à noite, se acessibilidade é uma piada (o governo anunciou recentemente investimentos), se corredores e ciclistas têm de dividir a pista com ônibus e carros na Avenida Oceânica, se o índice de homicídios por arma de fogo é um dos maiores do Brasil, talvez seja o caso de lembrar que o turismo de Salvador é negócio sério – 80% da atividade econômica vem da área de serviços. Sendo assim, o governo tenta não correr o risco de ver incidentes que levem a uma fuga dos visitantes.
É por isso que as áreas turísticas são normalmente bem policiadas. Em setembro do ano passado, só noCentro Histórico foram instaladas dez unidades móveis das bases comunitárias de segurança. Nas principais ruas, uma dupla de policiais faz a vigília a cada esquina do Pelourinho. Ainda assim, eu fui aconselhada a não “andar pelas vielas”. Pelas ruas estreitas, de pavimento pé de moleque, as casas semidestruídas abrigam moradores de rua e usuários de drogas – muitos deles de crack, muitos deles menores de idade.
Perto disso, o assédio dos ambulantes em Salvador nem chega a ser um problema. Repassar fitinhas do Bonfim amarrando-as no pulso dos turistas e dizendo-nos que se trata de um presente é um clássico. Quando cheguei à Sagrada Colina para conhecer a Igreja do Senhor do Bonfim, fui abordada por quatro vendedores cheios de fitinhas e de vontade de me “presentear”.
O frege do Pelourinho, em Salvador
O frege do Pelourinho - Foto: Rafael Martins
Veraodependência
Salvador, como se sabe, ferve no verão. O ciclo de festas populares, que reúne devotos dos orixás do candomblé e dos santos do catolicismo, tem início em 4 de dezembro, com a Festa de Santa Bárbara (Iansã, na correspondência para o candomblé), e segue até o Carnaval. A padroeira do estado é Iemanjá, a rainha do mar. Sua celebração, popularíssima, principalmente nas ruas do Rio Vermelho, ocorre em 2 de fevereiro. Outra festa famosa é a Lavagem do Bonfim. Realizada em uma quinta-feira de janeiro, a lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bonfim, feita com água de cheiro, é precedida por um cortejo de 8 quilômetros. Mas Salvador busca se livrar de sua “veraodependência” e vem tentando criar ou atrair eventos ao longo do ano. Em fevereiro, depois do Carnaval, aconteceu, por exemplo, o festival Espicha Verão, que levou o Cidade Negra e várias outras atrações ao Pelourinho; em maio, o buzz da vez é o GP Bahia de Stock Car, a ser realizado nas ruas do Centro Administrativo, em um circuito improvisado que os entusiastas já chamam de “Mônaco brasileiro”.
Com o aeroporto entre as dunas de Lauro de Freitas, para lá de Itapuã, e a oferta de quartos dos resortões da Linha Verde, em Guarajuba, Praia do Forte e Imbassaí, já há muitos turistas que só veem Salvador da janelinha do avião. E não dá para culpar as belas praias da Linha Verde só por isso. A orla soteropolitana está degradada, e estima-se que seja necessário um investimento de R$ 20 milhões para recuperar calçadas, pista de cooper e iluminação. Centenas de barracas de praia tiveram de ser demolidas por ordem judicial, mas não se sabe ainda o que vai substituí-las. Se você precisar tomar uma água de coco, melhor trazer do hotel. O prefeito ACM Neto disse recentemente que o “soteropolitano elogia a orla de Aracaju, mas vai se orgulhar da de Salvador, que ficará pronta até a Copa”. Salvador vive um momento de transição, e o futuro à frente é uma incógnita. De certo mesmo, só o felicíssimo slogan, sempre atual, qualquer que seja o estado de coisas na Bahia e em sua capital: “Sorria, você está na Bahia”.
Piatã, em Salvador, sem as barracas
Piatã sem as barracas - Foto: Eduardo Moody

FAROESTE CABOCLO

SE O FILME 
POUCO TEM A VER
 COM A IRREVERÊNCIA DA LEGIÃO URBANA, 
NÃO FAZ MAL...


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