quarta-feira, 29 de maio de 2013

SOBRE OLAVO BILAC


                OLAVO BILAC E O EXÉRCITO

    “‘Ora (direis) ouvir estrelas! Certo/Perdeste o senso!’E eu vos direi, no entanto,/Que, para ouvi-las, muita vez desperto.../E abro as janelas, pálido de espanto...”
“Última flor do Lácio, inculta e bela,/És, a um tempo, esplendor e sepultura”.
“Salve, lindo pendão da esperança,/ Salve símbolo augusto da Paz!”.
Esses versos, de diferentes poemas de Olavo Bilac, que aprendemos (e cantamos) na escola secundária, são hoje considerados, pela maioria dos leitores, como provenientes de um pitoresco poeta parnasiano, cuja poesia, superficial, beletrista, talvez piegas, teve seu conteúdo sacrificado à busca da forma perfeita, do rebuscamento, do preciosismo, da raridade vocabular.
O jornalista, cronista, poeta, inspetor de ensino, delegado diplomático, um dos fundadores de Academia Brasileira de Letras, Olavo Braz Martins dos Guimarães Bilac (1865-1918), eleito “Príncipe dos Poetas Brasileiros”, entretanto, foi um importante ator do debate público no início do século 20.
A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) – da qual o Brasil participou enviando uma missão médica e oito navios que não chegaram a entrar em combate devido ao fim do conflito – despertou, nas elites nacionais, preocupações mais intensas com a vulnerabilidade militar do país e com o papel que o exército deveria desempenhar diante do inimigo externo e da sociedade. Um dos pontos centrais desse debate foi a adoção do serviço militar obrigatório, instituído por lei em 1908, mas até aquele momento não implementado, em grande parte por falta de verbas.
Um grupo de oficiais do exército, chamados de “jovens turcos” por analogia com os oficiais turcos que haviam implantado um estado laico na Turquia mulçumana, muitos dos quais tinham servido na Alemanha, e que fundaram, em 1913, aimportante revista A Defesa Nacional, ainda hoje editada, pretendiam modernizar o exército, tornando-o mais técnico e profissional.
    Embora para os “jovens turcos” a defesa externa do país constituísse a missão precípua do exército, eles não descartavam a intervenção interna como motor do desenvolvimento da sociedade, atuando a força como fator de transformação político-social, ao educar e organizar os cidadãos de uma sociedade que consideravam atrasada. Defendiam o serviço militar obrigatório como instrumento de extensão do papel do exército, de incorporação dos cidadãos à instituição militar, facilitando, assim, a disciplina, a educação, a transformação do povo.
    Em posição próxima à dos “jovens turcos”, Olavo Bilac interveio no debate que se travava nacionalmente acerca da obrigatoriedade do serviço militar, afirmando que um dos papéis mais importantes das forças armadas era a educação cívica dos cidadãos, e que isso seria obtido ao se atrair todas as classes sociais para os quartéis.
    Bilac via o serviço militar obrigatório como a salvação do Brasil, algo que igualaria a nação, elevando os de classe mais baixa ao nível das classes mais altas; neste sentido, defendia a militarização de todos os civis. Acreditava que as forças armadas forneceriam a ordem e a disciplina necessária à ascensão do país ao padrão das “grandes nações civilizadas”. O oficial seria o “sacerdote do culto à pátria”, o regenerador, o disciplinador, e não teria ambições políticas. Seu papel seria apenas de preparar o país para ser governado pela classe média esclarecida.   
    O poeta percorreu o país levando sua mensagem a auditórios que lotavam para ouvir suas conferências. Afirmava não ser militarista, não pretender entregar o país a um governo militar, mas, sim, utilizar o exército como fator de integração, desenvolvimento e elevação do Brasil. Os oficiais deveriam instruir o povo, mantendo-se, porém, politicamente neutros, distantes das disputas pelo poder, a fim de preservarem a confiança, o crédito, o respeito de todos.
    Olavo Bilac morreu em 1918; parte de suas idéias foram encampadas pelos militares, que o viam como grande aliado e amigo. O serviço militar obrigatório fora implementado em 1916.  
    O dia do aniversário de Bilac, 16 de dezembro, foi estabelecido, por decreto, em 1939, como Dia do Reservista; em 1966, o primeiro presidente do regime militar, Castello Branco, conferiu ao poeta o título de Patrono do Serviço Militar.
    Seus poemas, a despeito do cerrado combate que lhes promoveu o Modernismo, ainda podem ser lidos com prazer, em particular pela rara combinação de uma inspiração genuinamente espontânea expressa através de um rigor técnico sem concessões, o que lhes conferem um frescor, um vigor, uma autenticidade, inesperados num poeta parnasiano.
    Suas idéias acerca do papel social do exército ainda cabem: num país que continua carente de “civilização”, o exército, ao abrir estradas, ao oferecer assistência médico-odontológica, ao alfabetizar, ao socorrer a população em calamidades, ao combater o crime organizado, não se encontra distante do pensamento bilaquiano. Afinal, subsidiariamente, a missão do exército brasileiro é participar do desenvolvimento nacional e da defesa civil.
    Marcos A. P. Ribeiro


VERDADE SEJA DITA!

Há poucos dias a imprensa engajada veiculou farto noticiário sobre uma suposta transformação de Lula como um novo colunista do The New York Times, jornal mundialmente conhecido. De acordo com o rasgar de sedas dos vermelhinhos, o apedeuta é, a partir deste acontecimento, o suprassumo da altíssima intelectualidade brasileira, apesar de nunca ter lido sequer um livro.
Pois bem. Uma internauta brasileira resolveu indagar do The New York Times sobre essa história de ele se transformar em articulista do jornal e este encaminhou uma resposta à interessada, esclarecendo qual a relação de Lula com esse veículo da imprensa norte-americana. Em primeiro lugar, colocamos abaixo a mensagem original do jornal, já publicada numa coluna do blog de Reinaldo de Azevedo (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/ ). E, em seguida, a tradução do que ali está em inglês:  Dumont
 
 
Thank you for writing. Former President Lula is not writing a column for The Times. He is writing a column for The Times’s Syndicate, which represents clients worldwide and sells their work to other media. The Times has had many writers like President Lula who have sold their work through The Times, including Richard Branson, Noam Chomsky, Mikhail Gorbachev and Jack Welch. Basically, The Times takes their writing, shapes it into articles, and offer them to clients for a fee. President Lula will not appear regularly on the pages of The Times or within nytimes.com. Again, thank you for writing. Weappreciate your feedback.
Best,
Meg Gourley
Assistant to the Public Editor
The New York Times
 
 
Aqui, a tradução:
 
Obrigado por escrever. O ex-presidente Lula não está escrevendo uma coluna para o The Times. Ele está escrevendo uma coluna para The Time´s Syndicate, que representa clientes em todo o mundo e vende seus trabalhos para outras mídias. The Times teve muitos escritores como o presidente Lula que venderam o seu trabalho através dos tempos, incluindo Richard Branson, Noam Chomsky, Mikhail Gorbachev e Jack Welch. Basicamente, o The Times recolhe seus textos, molda-os em artigos, e oferece-os aos clientes por uma taxa.. O presidente Lula não vai aparecer regularmente nas páginas do The Times ou no nytimes.com. Mais uma vez, obrigado por escrever. Agradecemos o seu retorno.
Saudações,
Meg Gourley
Assistente da Editoria Pública
The New York Times

Então, fica claro que são colunas, opiniões para serem vendidasmundialmente, mediante uma taxa a ser paga por quem se interessar por elas. Ali estão, além dos nomes citados na mensagem de Meg Courley, até o nome de Fernando Henrique Cardoso. Veja nesta página, que inclui cópia da foto de FHC. Digamos que esse serviço funciona como se fosse uma central de notícias, no caso colunas devidamente assinadas.
A petralhada, a assessoria pessoal de Lula mentiu, enganou mais uma vez. E descaradamente para ganhar espaço na mídia engajada. Circulem isto como puderem. Já estamos cansados de assistir aos descalabros dos vermelhos que só pretendem se apossar de nosso país, usando de métodos completamente aéticos, fora a trampolinagem com os recursos do governo. Basta de Lula e seu petismo!
Confirme aqui o que dissemos:https://www.nytsyn.com/about/syndicate/opinion/opinion
 
 

UM POUCO DE BACH...

... NÃO FAZ MAL A NINGUÉM


O CRAVO BEM TEMPERADO

JOHANN-SEBASTIAN BACH (1685-1750)
Nascido em uma família de longa tradição musical, cedo mostrou possuir talento e logo tornou-se um músico completo. Estudante incansável, adquiriu um vasto conhecimento da música europeia de sua época e das gerações anteriores. Desempenhou vários cargos em cortes e igrejas alemãs, mas suas funções mais destacadas foram a de Kantor da Igreja de São Tomás e Diretor Musical da cidade de Leipzig, onde desenvolveu a parte final e mais importante de sua carreira. Absorvendo inicialmente o grande repertório de música contrapontística germânica como base de seu estilo, recebeu mais tarde a influência italiana e francesa, através das quais sua obra se enriqueceu e transformou, realizando uma síntese original de uma multiplicidade de tendências. Praticou quase todos os gêneros musicais conhecidos em seu tempo, com a notável exceção da ópera, embora suas cantatas maduras revelem bastante influência desta que foi uma das formas mais populares do período Barroco.

GLENN GOULD
 (25 de setembro de 1932; 4 de Outubro de 1982) foi um genial e renomado pianista canadense, conhecido especialmente por suas gravações de Johann Sebastian Bach. Suas gravações das Variações Goldberg são consideradas um marco na música ocidental do século XX. Gould abandonou as apresentações ao vivo em 1964, dedicando-se, desde então, apenas às gravações em estúdio, pelo resto de sua carreira, com um estilo de tocar muito peculiar, muitas vezes excêntrico.

A PÁTRIA EM FORMA DE CHOCALHO

A FINADA CAXIROLA...
"É um perigo debochar dos orixás da Bahia, confirma a maldição da Fonte Nova. Dilma Rousseff desafiou os deuses do candomblé durante a cerimônia no Palácio do Planalto que, em 23 de abril, promoveu a caxirola a símbolo da Copa do Mundo e Carlinhos Brown a gênio da raça(...)
Nos palavrórios que festejam a inauguração de estádios que não ficaram prontos, Dilma Rousseff espanca a verdade com a mesma lenga-lenga: o Brasil Maravilha está mostrando aos...Ver mais ─ um dos tantos monumentos à gastança concebido pelos arquitetos da Copa da Roubalheira ─ desmontou a farsa. 
Quem acreditou em Dilma dormiu sonhando com a oitava maravilha do mundo. Acordou com o barulho do teto que não resistiu ao primeiro temporal. 
Melhor que a presidente se recolha ao silêncio por alguns dias. Enquanto faz de conta que só conhece as velhas fontes de Roma que viu na visita ao Papa, Dilma talvez aprenda onde fica o gol. 
A diferença entre o pau de escanteio e o bandeirinha pode ficar para depois. “O Carlinhos não disse, mas ele me falou que a caxirola também tem um sentido transcendental de cura, de enfim, de paz com o mundo, de estar, de fato em sintonia com a natureza e com todos os orixás”, desandou a presidente. 
Decidida a enxergar a pátria em forma de chocalho no que nunca passou de um caxixi pintado de verde e amarelo, Dilma envolveu as poderosas entidades numa tapeação de quinta categoria. 
Está pagando caro pela heresia."

AUGUSTO NUNES

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